“Joguei tudo pela janela!”
“Bem que eu já tinha visto alguém dizer na televisão - acho que foi numa novela dessas - que nunca devemos guardar nossos problemas, especialmente aquele insolúveis! Fui aprendendo que quem guarda traumas, dores e coisas mal resolvidas costuma passar mal, ter erupções na pele, dor de barriga e pode até ficar careca. Já pensou?Depois, lendo um pouco mais sobre o assunto, uma amiga me contou de um livro sobre desintoxicação interior, referindo-se exatamente a este fenômeno que nos mata na medida em que perdemos a capacidade de por pra fora o que nos faz tão mal. Existe uma unanimidade: é preciso livrar-se do que nos impede a felicidade e paz. Desfazer-se do negativo, agourento; Livrar-se de tudo o que bloqueia nosso lugar ao sol. É preciso chegar até o lugar do ‘vazio profundo’, onde nada perturba o ser humano. Figuei fascinada!Lí até sobre a ‘Teoria do Grito’! É um grupo de gente iluminada que se reúne pra gritar; é mesmo! Gritar e pôr pra fora, ‘desopilar o peritônio’, gritar, gritar, gritar, até sentir que jogou tudo fora. Quase fui lá, mas figuei com medo do que poderia sair de mim! Imagina! Deus me livre!É claro que uma nova concepção sobre o medo e a liberdade tomaram conta de mim e eu fui mandando embora, jogando pela janela tristezas, más lembranças, saí de perto de gente feia e sem dinheiro, achei por bem morar sozinha e tudo - absolutamente tudo - o que me dava sinais de repressão do meu direito a ser feliz, foi sendo retirado do meu caminho: pensamentos, lembranças, pessimismos, gente pobre, problemática… Fui aprendendo a não permitir que nada pudesse obstacular minha trajetória; segui jogando fora até mesmo quem tentou impedir a realização do meu oráculo.Conceitos sobre a limitada existência de Deus, falsas doutrinas que enfatizam que o homem é um ser com necessidades básicas como afeto e baixarias desta espécie foram, solidamente, saindo de minha tela mental.Jogar fora o que me atrapalha; desfazer-me do que me vincula mortalmente ás pessoas e poder respirar fundo esta união cósmica com o infinito, tornou-se tudo pra mim.Joguei fora minha família, meus amigos, meus amores mais queridos; joguei fora o passado, quem me chateava e tudo o que veio á minha frente.Um dia olhei minha filha que nunca parava de chorar!Joguei tudo pela janela!”
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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